exposições
Cadu
— Mas não há nenhuma casa aqui ao lado.
— Então construiremos uma!”
IRMÃOS MARX
Tarde do Fauno reúne trabalhos de Arthur Chaves em uma investigação sobre memória, transformação e fabulação. A partir de tecidos, aviamentos, rendas, veludos, objetos encontrados e vestígios de diferentes origens, o artista constrói composições que atravessam tempos, geografias e narrativas, criando um universo onde o cotidiano e o mítico coexistem.
O título da exposição evoca a figura do fauno — ser híbrido, situado entre o humano e o animal, entre a razão e o instinto. Presente em diferentes tradições artísticas e literárias, esse personagem surge como metáfora para uma obra que habita territórios de passagem, transformação e desejo.
Nas obras apresentadas, materiais aparentemente ordinários são deslocados de suas funções originais e reorganizados em novas constelações visuais. Tênis, rendas, tecidos, cortinas, bordados e elementos decorativos passam a ocupar um campo expandido de significados, revelando camadas de memória, afeto e imaginação. Fragmentos de diferentes procedências convivem em composições que desafiam hierarquias entre o erudito e o popular, o precioso e o banal, o antigo e o contemporâneo.
Como observa o curador Cadu, a exposição é atravessada por uma rede de referências e encontros:
“Uma trama de culturas, lugares e épocas que em muito se assemelha às sobreposições que temos na sala ao lado.”
Essa lógica de justaposição está no centro da pesquisa de Arthur Chaves. Em seus trabalhos, materiais carregados de histórias anteriores são reorganizados em novas narrativas, onde costura, ornamento e memória tornam-se ferramentas de construção poética.
Ao refletir sobre a potência simbólica das roupas e dos tecidos, o artista afirma:
“Vestimentas são como a morte, deslizam frias pela pele.”
A frase sintetiza uma investigação recorrente em sua produção: a capacidade dos materiais de guardar presenças, ausências e transformações. Dobras, laços, plissados, capitonês e ornamentos operam como elementos de uma linguagem própria, capaz de articular histórias reais e inventadas, lembranças pessoais e imaginários coletivos.
No texto curatorial, Cadu também descreve a exposição como:
“Uma ópera partiturada pelas façanhas da agulha, obediente ao metal frio do pedal da máquina de costura.”
A imagem ajuda a compreender a dimensão teatral presente na mostra. Cada obra parece habitar um espaço entre figurino e escultura, entre objeto e personagem, entre memória e invenção.
Ao percorrer Tarde do Fauno, o público encontra uma paisagem construída por camadas de referências visuais, afetivas e culturais. Entre ecos da história da arte, da moda, da literatura e das tradições populares, a exposição propõe uma reflexão sobre os modos como os objetos carregam narrativas e como a imaginação é capaz de reinventá-las.
A exposição integrou a programação da CASA BRASIL, reafirmando o compromisso da instituição com práticas artísticas que valorizam a experimentação, a construção de novas narrativas e o diálogo entre diferentes repertórios culturais.

Ficha Técnica
Curador
Cadu
Assistente do artista
Victor Cavalcante da Costa
Cenotecnia
Artes e Ofícios
Nivelar Cenografia
Iluminação
Antonio Mendel – Espaço Luz
Sinalização
Ginga Design
Transporte
David Nascimento
Acessibilidade
Vox Nostra
Revisor
Tiago Velasco
Tradutora
Elisa de Paula
Comunicação visual
Lucas Bevilaqua
Fotografias
Rafael Salim
